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Bicampeões da Europa!!!

 

Portugal Futsal Euro 2022
Foto: SPORTSFILE


Mudou o ano, mas não o Campeão! Portugal tinha fechado 2021 com o inédito título de Campeão do Mundo de Futsal e abriu 2022 a revalidar o titulo de Campeão da Europa conquistado em 2018.


Esta competição deve ter ditado o fim da carreira internacional de jogadores que marcaram a era mais dourada do futsal português com João Matos, Pany Varela, André Sousa e Bruno Coelho à cabeça. Ainda assim, não há motivos para desanimar quando olhamos para esta seleção e vemos nomes jovens como Afonso Jesus, Erick Mendonça, Tomás Paçó e, principalmente, Zicky Té. Com jogadores que já demonstram este nível em tão tenra idade, a base da equipa das Quinas está garantida para os próximos dez anos, sendo obviamente necessário continuar o excelente trabalho que tem vindo a ser feito para garantir o elenco de suporte aos jovens craques portugueses.


Jorge Braz tem claramente de ser enaltecido por mais este título internacional. Em 2018 tinha Ricardinho próximo do seu auge, o que por si só é quase equivalente a jogar com mais um na quadra. Em 2021, o astro luso já estava muito longe do seu pico de forma, muito fustigado por lesões nos últimos anos, mas continuava a ser um enorme desequilibrador e um excelente defensor e contou ainda com Pany Varela em modo ‘Melhor do Mundo’. Este Europeu já sem Ricardinho e com Pany uns furos abaixo da forma absurda que apresentou em 2021, foi Jorge Braz que foi capaz de montar uma equipa que já joga de olhos fechados e com elementos que não são peças chave das suas equipas (Afonso Jesus, André Sousa e Tomás Paçó) mas que souberam dizer presente no momento certo. Se é indiscutível que Nuno Dias é o melhor treinador do Mundo neste momento, fruto do seu conhecimento tático e capacidade de desenhar jogadas de bola parada infalíveis, não é menos verdade que Jorge Braz, embora não tão forte nesse aspeto do jogo (se bem que seja muito acima da média) é um comunicador incrível e que consegue arrancar um compromisso inquestionável da parte dos seus jogadores. Ver uma pausa técnica de Jorge Braz devia ser obrigatório em todos os curso de comunicação (desportiva ou não).


Outro ponto relevante desta seleção prende-se com o fator guarda redes. Num momento em que se dá tanta importância ao papel do guardião no futsal, é incrível vermos que Portugal conquistou os últimos três títulos internacionais sem nunca ter um guarda redes de topo mundial. André Sousa e Bebé têm carreiras que falam por si, mas estão alguns furos abaixo de guarda redes como Guitta, Higuita ou Didac. Nos próximos anos, veremos se Edu alcançará o nível que se lhe aponte e volte a dar à seleção o guarda redes de topo mundial que tem vindo a faltar desde João Benedito. 


Quanto ao torneio, Portugal fez o pleno de vitórias, somando 6 triunfos em outros tantos jogos, apontando 19 golos e sofrendo apenas 9. Os melhores marcadores da equipa lusa acabaram por ser Afonso Jesus e Pany Varela com 4 golos cada, sendo que o ala leonino teve um condão de carimbar o último golo no jogo decisivo, no último segundo quando a Rússia já jogava em 5 para 4. 


A nível coletivo, as grandes surpresas do torneio acabaram por ser a Finlândia e a Ucrânia. A seleção escandinava, estreante nestas andanças, foi capaz de se qualificar no seu grupo eliminando a histórica Itália de Alex Merlim, caindo nos quartos de final aos pés de Portugal, sem deixar de dar muita luta aos futuros bicampeões europeus. Já a Ucrânia, mostrou um futsal de qualidade, eliminou o teoricamente favorito Cazaquistão nos quartos de final e vendeu bem cara a derrota na meia final frente à Rússia por 3-2, tendo desperdiçado um penalty nos instantes finais que levaria a partida para prolongamento.

⭐Destaques:

 
- André Coelho, João Matos, Bruno Coelho: Três enormes guerreiros que jogaram visivelmente limitados por questões físicas, vendo os seus minutos limitados. Foram ainda assim capazes de ajudar com a sua qualidade e enorme experiência. Se o fixo do Barcelona ainda deverá fazer parte da equipa que irá defender o título Mundial, este Europeu deve ter ditado a despedida de João Matos e Bruno Coelho aos palcos internacionais. Obrigado, Campeões!


- Erick Mendonça: O verdadeiro Universal! Numa equipa que contava com apenas um pivot de origem, Erick foi um elemento fundamental para deixar Zicky respirar. O universal do Sporting é, muito provavelmente, o jogador mais completo do mundo neste momento. É incrível como consegue render nas 3 posições em campo. Este Europeu serviu também como passagem de pasta no que toca à liderança do processo defensivo da seleção de João Matos para Erick. Veja-se o jogo da final para se ter uma ideia da preponderância e liderança do jovem e 26 anos no momento de definição da defesa em quadrado ou em diamante para travar o 5 para 4 russo


- Afonso Jesus: Principal revelação da equipa portuguesa neste torneio. Afonso não é figura de proa no Benfica, mas foi capaz de dizer presente neste torneio, sendo, a par de Pany, o melhor marcador dos campeões europeus com 4 golos. Destaque óbvio para o seu papel fundamental no jogo dos quartos de final ao marcar os dois primeiros golos na vitória por 3.2 frente à Finlândia. Com apenas 24 anos, assistimos aqui à afirmação de uma das referências da seleção portuguesa para os próximos dez anos
 

- André Sousa: Grande torneio do guardião português. Embora tenha tido culpas no primeiro golo sofrido na final frente à Rússia, fez um grande europeu, principalmente nos jogos frente a Ucrânia e Espanha. Não sendo, como já aqui foi dito, um guarda redes de todo, é inclusivamente habitual suplente no Benfica, foi capaz de revalidar o título que conquistou há 4 anos e teve a sua defesa milagrosa da praxe nos últimos segundos da final


- Zicky Té: O grande destaque dos campeões europeus e mundiais! O recentemente eleito melhor jogador jovem do mundo demonstrou que é já uma certeza no futsal mundial. O seu jogo frente à Espanha está apenas ao alcance dos melhores do mundo e cimentou, se dúvidas houvesse, o pivot do Sporting entre os melhores pivots neste momento. É incrível ver o contributo que Zicky tem no jogo, não só nos golos que marca, mas, sobretudo, em como consegue segurar a bola de costas para a baliza, permitindo à equipa subir no campo. Com apenas 20 anos, podemos estar confiantes que temos aqui um jogador que será referência mundial na sua posição para os próximos 15 anos.


By: Ângelo Sousa

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