Francisco Stromp - O primeiro Sportinguista
1 de julho além de mais um aniversário do Sporting Clube de Portugal, foi também o dia em que Francisco Stromp, atleta e um dos fundadores, pós-fim a sua vida com 38 anos, no 24º Aniversário do seu clube.
Stromp nasceu em Lisboa a 21 de maio de 1892, foi o terceiro de seis filhos, sua mãe Elisa Lima de Oliveira Roxo, e seu pai, Francisco dos Reis Lopes Stromp, prestigiado medico e diretor de 3 hospitais.
Aos 3 anos, Francisco Stromp, adoeceu, os médicos colegas do seu pai, aconselharam-no a sair de Lisboa, com a justificação que precisaria de ar livre, com isso mudaram-se para o Lumiar.
E foi aí que Stromp conhecerá José Holtreman Roquette (José Alvalade).
Em 1904, com apenas 12 anos, Francisco, juntamente com seus irmãos José e António Stromp, José Roquette, e os irmãos Gavazzo, resolveram formar um clube, na sequência do extinto Sport Clube de Belas, o Campo Grande Football Club, e desde a fundação com a visão voltada para as modalidades. A 13 de abril de 1906, durante uma assembleia-geral, opiniões divergentes quanto ao objetivo da instituição levaram à saída de cinco membros, que ficaram conhecidos como os "Dissidentes".
José Alfredo Holtreman Roquette, com ajuda do seu avô, e dezanove membros fundadores, entre eles Francisco Stromp, cirou o novo clube, que passaria a chamar-se Sporting Clube de Portugal, oficialmente a 1 de julho de 1906.
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Aos 16, em 1908 estreou-se na equipa principal do Sporting, onde jogou até 1924, como médio, avançado, e chegou a fazer um jogo a guarda-redes.
O Sporting festejou o seu primeiro titulo em 1915, campeão de Lisboa, Stromp que era capitão e treinador, numa altura em que ainda não existia a figura de treinador, era chamado de capitão-geral do futebol. Como tal pode-se dizer que Stromp não só foi o primeiro capitão dos leões, como treinador. Quem o viu em campo, fala de uma qualidade acima da media, um jogador magnifico. Somou 107 jogos de leão ao peito, com 13 títulos no total.
Stromp foi um verdadeiro leão, antes mesmo de sabermos o que era isso, perpetuava o Sportinguismo quase antes de existirem Sportinguistas, era ele que unia todo o grupo, chegava a fazer grandes discursos com lagrimas nos olhos, e apelava sempre a dignificação do nome Sporting Clube de Portugal.
Foi também um exemplo de fair-play, dizem que todos o respeitavam e gostavam dele, até os maiores adversários.
Stromp tem também um percurso militar, esteve acampado em Monsanto, envolvido na preparação do golpe para a restauração da monarquia, em 1911. Com a derrota passou dois meses preso no quartel de Queluz. E chegou mesmo a perder um dérbi, diante do Benfica, que o Sporting ganhará, por 3-1.
Foi um atleta multidesportivo, tendo sido campeão nacional de Lançamento de disco pelo Sporting, e ainda representou a seleção nacional de futebol.
Depois da sua aventura militar, trabalhou no Banco Nacional Ultramarino, mas a sua vida era mesmo o Sporting, vivia para o seu clube, era capitão, treinador, atleta e o eterno sócio nº3.
O seu fim triste acaba por estar ligado a doença que o seu pai diagnosticou-lhe, quando o viu a tentar comer uma sopa com um garfo, sífilis. Uma doença que o foi impedindo de fazer o que mais gostava.
E no dia de aniversário do Sporting, Francisco levantou-se mais cedo, mas terá tomado outro caminho, da Estação de Comboios de Sete-Rios, e quando se terá apercebi do comboio, despiu o casaco e correu de braços abertos ao seu encontro.
Após o campeonato de Lisboa de 1923, conquistado pelos leões, Stromp terá escrito a seguinte carta:
"Ganhámos o Campeonato de Lisboa sem contestação dos nossos adversários e, até, com aplausos de todos eles. É isto um dos mais saborosos frutos do nosso trabalho. Ainda não chegámos ao fim. Agora vamos disputar o Campeonato de Portugal. Pretendemos ganhá-lo da mesma forma, sem contestação. A nossa vitória no Campeonato de Lisboa não se deve ao valor individual dos componentes da nossa equipa. Deve-se principalmente à correcção que todos soubemos manter em todos os jogos que fizemos, à assiduidade aos treinos que todos compreenderam serem necessários para vencer e à disciplina que me orgulho de ter sabido manter, não usando outros meios que não fossem a evocação da amizade que por todos tenho e aquela que todos temos pelo Sporting Clube de Portugal. Confio novamente na vontade de todos para poder triunfar. Continuaremos a trabalhar sem um desfalecimento. Precisamos de honrar o nosso título de Campeão de Lisboa, juntando-lhe o de Portugal, precisamos confirmar a contestação da derrota da época passada, precisamos de efectivar a última aspiração da vida desportiva do capitão da primeira equipa: entregar o título de Campeão de Portugal"




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