Ganhar ou formar
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| Foto: Miguel Barreira |
Vivemos tempos em que se exige equipas vencedoras quase desde os Sub-9, até aos Sub-23, com um escrutínio máximo em todos os erros dos jogadores, expondo-os em praça pública, ou melhor, em redes sociais, até ao limite do ridículo, quando verificamos que se tratam de jogadores de 15, 16, 17 anos.
Construiu-se uma ideia que para ter grandes jogadores fruto da formação, essa mesma formação tem de ganhar todas as competições, jogos, e jogar ao nível do Barcelona de Guardiola.
A verdade é que sim ganhar é importante, e é sempre uma aprovação de qualidade, mas também não é menos verdade que não ganhar não signifique que essa formação tenha menos qualidade. Um exemplo rápido na equipa do Sporting, geração Nuno Mendes e Gonçalo Inácio, nunca conquistaram qualquer troféu na formação, o seu sucesso a sénior é inegável, já a geração de Miguel Luís, campeões de Juniores, bons jogadores, mas até a data nenhum conseguiu afirmar-se. E ainda podemos olhar para a Youth League, conquistada pelo FCPorto em 2019, daquela equipa apenas Fábio Vieira, Diogo Costa e Vitinha, que nem foi titular na final, se conseguiram afirmar na equipa principal, e demoraram ainda algum tempo para confirmar a sua qualidade. Dentro dessa mesma edição da Youth League, Charlie Brown, jogador do Chelsea, foi um dos melhores, marcando 12 golos, hoje joga no Cheltenham Town, depois de uma passagem sem afirmação no MK Dons.
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| Jogador do SportingCP |
A cultura dos vencedores ou perdedores, nem sempre (quase nunca) se reflete no sucesso e na aprendizagem futura. Os jovens têm de crescer livres de compromissos e sem amarras, jogar por diversão, falhar várias vezes, só assim vão aprender a ultrapassar os desafios.
E não, nenhum jovem perde o amor pela vitória, numa formação que perde mais do que ganha, há sim a probabilidade de dar mais valor a ela, quando sabe o que custa vencer.
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Opinião




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