Opinião | Hoje tenho vergonha de gostar de futebol
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| 1982/83 - Fair play Benfica vs. Sporting (imagem RTP) |
O futebol para mim é emoção, e sim talvez tenha uma visão muito romântica, mas cresci com grandes momentos, ver adeptos rivais abraçados a comumurar a festa que é o futebol, ficar arrepiado ao som de grandes hinos como "You'll never walk alone", ou "O mundo sabe que".
Mas parece que esquecemos tudo isso, e passamos o futebol para um nível de fanatismo, onde já não se vive a paixão do desporto em si, mas apenas obsessão doentia, e onde só interessa a vitória do nosso clube. Não estou obviamente com isso a dizer que não devemos querer que a nossa equipa ganhe, mas não vale tudo, e quando a nossa equipa perde parece que se tornou mais lógico insultar a própria equipa, do que continuar apoiar para conseguirem se reerguer. Que país é esse que deixou que se tornasse normal agressões aos nossos atletas porque eles não conseguiram ganhar, ficamos todos reduzidos a um neurónio, e achamos que os jogadores não querem ganhar sempre, ou que agressões sejam físicas ou verbais como as que vemos quase todas as semanas, vão fazer a equipa jogar melhor, quando estão apenas a sabotar o seu próprio clube.
Eu vejo um país que fecha os olhos à violência no desporto, e deixou que tudo isso se tornasse normal no futebol, hoje futebol é dramas e mais dramas, hoje eu tenho vergonha de dizer que gosto disso.
Como adepto do Sporting Clube de Portugal já vivi grandes momentos, mas também já vi o meu clube passar por muitos desaires, goleadas de rivais em casa, perder contra equipas de escalões inferiores, mas nunca tive vergonha do meu clube, nem de sair a rua com a camisola vestida, as derrotas nunca me deixaram com vergonha de andar na rua com o leão rampante ao peito. Mas houve uma vez em que tive vergonha de ser do Sporting, foi depois de diversos acontecimentos como o de Alcochete (que hoje parece ser tabu), certos comportamentos de adeptos deixam-me mais envergonhado do que perder 10-0 com o rival em casa.
Ta na altura de começarmos a olhar, que futuro queremos para o nosso futebol, parte de nós primeiro, e dos nossos comportamentos, mas também exigir a quem compete, que se comece a tomar medidas, pois espero que um dia quando quiser ir ao estádio com a família não tenha de sentir medo, e acima de tudo que os nossos atletas também não o tenham.
Num país que é surdo vai falar para quem?
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